sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ariel: Uma homenagem ao Leão de Deus


Triste perda...

BBC HD - Planeta Humano Ep. 04: Selvas [Parte 1/5]



Não esqueçam de terminar de ver no youtube, são 5 partes ;)

Íntegra: A produção animal: nossos hábitos cotidianos e a ética global – Silvio L. Negrão » cpfl cultura

Íntegra: A produção animal: nossos hábitos cotidianos e a ética global – Silvio L. Negrão » cpfl cultura

ótima Palestra.Alguns trechos abaixo:

“Sem as drogas utilizadas na ração, os animais de produção não suportariam o ambiente hostil a que são submetidos.”

“Na hora do nascimento, as vacas são separadas de suas crias para que não aconteça um vínculo maior da mãe com sua cria. Isso faz com que a vaca produza mais leite, já que ela não está vinculando a sua produção com a criação de sua prole.”
“Eu poderia ficar a noite inteira aqui falando sobre o sofrimento que os animais passam para servir de alimento para nós.”
“Hoje, produzimos animais como produzimos canetas ou automóveis. Só que nós estamos lidando com seres que sentem dor, que sofrem.”
“Duvidem de tudo o que eu falei até aqui. Que essa dúvida seja suficientemente forte para que vocês fiquem inquietos e insatisfeitos e que procurem saber um pouco mais sobre sua alimentação.”

Não gosto do Jabor, mas esse texto vale a pena..


Estamos com fome de amor. (Por Arnaldo Jabor)

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

Pelas Florestas-20/08 Pelo XINGU!!

Auto observando-nos chegamos lá!

Auto observando-nos chegamos lá!

por Súlivam Sena, sexta, 29 de julho de 2011 às 02:04
Passei por uma situação bem comum dos últimos dias.
Mas hoje me dei conta do imenso e grandioso monstro que se esconde em nós.
Sim, sou vegana. Sim, leio rótulos e pergunto com que gordura o padeiro faz o pão francês (dica do meu amigo Felipe Di Pietro).
investigo, leio, digo:"Não, obrigada, na composição dessa batata eles colocam leite" E... "vixe, porque disse isso? Ela vai me chamar de chata, vão fazer piadas... digo isso ou uso uma desculpa? Não, eu digo. Já me conhece, sou a estranh da família mesmo... lá vem."
"- Nossa, mas como vc é radical! Eu quero é viver em paz, tô fora. Para com isso. Tanta coisa pra se preocupar. Quanta frescura. "
Por instantes me arrependi e aí percebi o monstrinho ali. O medo de não ser aceita, de ser ridicularizada...
Não é chocante quando essa resposta vem da minha irmã. Acostumei com essa maneira que ela tem de tratar as coisas.
Percebi, hoje, que essa é a maneira como quase todos tratam as coisas. A galera quer é ter "paz", ficar "de boa", sem muita preocupação.
Más notícias: Não! Ninguém vai ter paz. Não que eu queira isso, mas assim funciona o universo.
Pergunto: Como pode ter paz inconsciente? Se a paz do outro está sendo roubada, acha mesmo que poderá estar em paz?
Pensar no que se come, no que se veste, no que se compra ou consome... é traçar os primeiros rastros de uma sociedade mais justa e equilibrada.
*E quando o brinquedo vem do Vietnã, feito por crianças, trabalho árduo, praticamente escravo?
*E quando o tênis que custa R$ 500 reais vem de bangladesh, feito também por crianças, jovens, adultos que ganham 0,06 centavos por dia? 14 horas de trabalho?
*E quando sua aliança de ouro vem de Minas altamente poluentes e exploradoras?
*E aquela jóia linda que vem de países africanos, onde crianças são roubadas de seus lados para servirem ao tráfico e à milícias?
*E quando o couro vem da índia, de vacas que até a morte ficam sem comer para a pele desgrudar melhor da carne?
*E quando o seu leite vem de um animal que pra te dar esse leite, foi estuprada, teve um bebê, arrancado no mesmo instante do nascimento ou para morrer ou para virar baby beef, vitela...? Leite esse cheio de pus, sangue, hormônios, antibióticos, sugado por uma máquina, 25 litros por dia!?
*E quando seu churrasco vem de dor?
Não é porque pensamos na causa animal que não estamos pensando na causa humana. Se as coisas estão da maneira como estão, é porque desde a raiz (e daí vem o termo "radical"- palavra latina radix, que significa "raiz") agimos de maneira vil e incoerente para com outras espécies. Como em essência todos somos a mesma coisa, inconscientemente sabendo disso e portanto não vendo diferença nenhuma, cometemos atrocidades a todo instante com humanos e não humanos e por isso colhemos frutos podres, porque desde a raiz a árvore já vem apodrecida.
Lembre-se disso quando escutar algo muito triste feito a uma criança ou a alguma pessoa. Pedofilia, estupro, assassinatos...
Observe bem o que anda comendo, vestindo, usando... pergunte-se a si mesmo se não está ajudando a esse mundo cheio de raiva, ódio, sofrimento, injustiça, para que ele se perpetue.
Diga Sim!!!
Sim como brócolis, arroz, feijão, lentilha, inhame, morangos, framboesas, grão de bico, hambúrgueres vegetais, leites vegetais, alface, rúcula, agrião, pepino, tomates, abóbora...
Sim à vida! Ao direito que todos temos de ser livres e viver. Ser livre não é escolher entre comer ou não comer carne. Quando falo "ser livre", falo libertar-se dessa cadeia que fizeram vc acreditar que faz parte!
Mudando hábitos, mudamos todo um padrão. Chegou a hora de SER essa mudança!
O medo acabou. Deu lugar a muita coragem. Coragem de enfrentar o que e quem for.
Sim!!! Pelos animais, pelo planeta e pelas pessoas!
Ótima Sexta feira a todos!!!

Chega de Fossa

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Razões para Acreditar na Internet #revolução2.0



Tirando a parte da biblioteca..que me deixa triste..o resto é pra ter esperança! ;)

Tv Transamérica - Voto Livre e a Lei da Bicicleta

Comerciais da PETA - (Legendado)

O Nascimento da Revolução da Colher-ótimo para demonstrar para crianças..

'A Calf and a Half' -- Cadbury Milk Investigation -- Reality Behind the Ads



A realidade grita..e muito...

Humanity's Flesh Addiction Exacerbates Global Extinction

Ativistas pelos animais organizam protesto em SP e RJ contra construção da usina de Belo Monte | ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais

Ativistas pelos animais organizam protesto em SP e RJ contra construção da usina de Belo Monte | ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Canadenses Usam Materiais Reciclados para Imitar Ecossistema

A dupla de artistas canadenses Peter Gibson e Brian Armstrong criou uma instalação que imita o ecossistema, feita inteiramente de materiais recicláveis. A escultura, parte do projeto batizado de “Fragile” está exposta em um centro comercial de Montreal, no Canadá.
O trabalho marca uma nova área de atuação dos artistas, que são conhecidos por suas intervenções urbanas feitas através do graffiti. A escultura tem altura média de cinco andares e foi feita a partir do uso de 13.750 garrafas plásticas, papelão, latas, plástico bolha e cabides, que após serem transformados deram “vida” a um ecossitema, com peixes, sapos, libélulas, lagoas, cachoeiras, vitórias-régias, algas e árvores.
Em declaração ao site norte-americano TreeHugger, Armstrong explicou que tratar da fragilidade do planeta e dos ecossistemas se tornou algo clichê, por isso muitas pessoas não dão conta da importância da preservação.
Os dois canadenses são comparados ao artista britânico Banksy, que através de seus desenhos em fachadas busca chamar a atenção da população às causas políticas e sociais. “Acho que minha intenção era criar uma linguagem que funcionaria como uma forma de sátira, acentuando o absurdo inerente a certos aspectos da vida urbana, espaço urbano e as políticas públicas”, declarou Gibson.
O “Fragile” permanecerá exposto no shopping em Montreal até o dia 30 de outubro.
Fonte: CicloVivo

Deva Premal , Miten, Manose and Friends "Twameva"



Lindo..deixem a energia entrar , sintam a magia da música..

ONE HUNDREDTH OF A SECOND

Sim, mega Atleta vegano!



Link do blog do Daniel Meyer: http://danielmeyerultramaratonista.blogspot.com/2011/07/gpi-triathlon-winter-edition-2011.html

Tudo sobre você - Zélia Duncan



Ah...Saudade..se eu te pego...


Tudo sobre você

Zélia Duncan

Composição: John Ulhoa - Zélia Duncan
Queria descobrir
Em 24hs tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você
Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria

Do ano passado, mas que muita gente ainda não sabe

Fonte: Ciclo Vivo - link:http://ciclovivo.com.br/noticia.php/1055/isopor_ganha_espaco_na_industria_de_reciclagem/

Isopor ganha espaço na indústria de reciclagem


Postado em 14/09/2010 às 14h07
O poliestireno é um material muito utilizado em toda a indústria e por muito tempo foi considerado um problema para a natureza. Por não ser biodegradável, o isopor, como é conhecido esse material, permanecia poluindo o solo por centenas de anos. Mas, isso não precisa continuar acontecendo, já que existem tecnologias capazes de reciclá-lo integralmente.
O processo até a reciclagem é bastante parecido com o do papelão, por exemplo, e envolve fabricantes, catadores, varejistas e consumidores finais. A empresa brasileira Termotécnica, localizada em Joinville é pioneira nessa atividade. Há três anos ela investe nesse tipo de reciclagem, transformando o isopor usado em material útil à indústria e também à construção civil.
A técnica de reciclagem é simples, o fato que dificulta um pouco esse trabalho é a logística. Sendo um material leve, porém espaçoso, uma carreta que suportaria levar em média 25 toneladas de carga, acaba transportando apenas 600 quilos de isopor.
Mesmo assim, enquanto a produção de isopor cresceu 82%, em 2009, a reciclagem desse material aumentou 300%. O crescimento é fruto de um trabalho intensivo, cujo objetivo é conseguir reciclar 100% de tudo o que é produzido, sem desperdiçar parte alguma do material.
Para que seja possível reaproveitar o isopor ele precisa estar limpo e não pode ter tido contato com a terra. As etiquetas são retiradas pela própria empresa de reciclagem ou na cooperativa que faz a coleta desse material. A Termotécnica é referência nesse trabalho, com nove unidades espalhadas por seis estados brasileiros e pretende se expandir por mais dois estados nos próximos anos.
A expectativa é de que o trabalho com reaproveitamento do poliestireno seja cada vez mais efetivo. Um dos fatores que tende a colaborar para essa melhoria é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, no início do mês de agosto. Essa legislação obriga os fabricantes e vendedores a aderirem à logística reversa, que os torna responsável pela destinação adequada dos resíduos gerados por seus produtos.
Albano Schmidt, presidente da Termotécnica, acredita que a Política Nacional de Resíduos Sólidos fará com que os próprios varejistas instituam em suas lojas o sistema leva e traz. Assim, ao fazerem as entregas os próprios funcionários trazem de volta o isopor que protege o produto. Esse já seria um ganho bastante considerável e mais um passo em busca da reciclagem total do poliestireno.

Limpa Brasil - Brasília 21 de agosto

Antonio Carlos Jobim - Chega De Saudade





Chega de Saudade

Tom Jobim

Composição: Tom Jobim e Vinícius
Vai minha tristeza,
e diz a ela que sem ela não pode ser,
diz-lhe, numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer.
Chega, de saudade
a realidade, É que sem ela não há paz,
não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca,
dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver sem mim

Política e espiritualidade na Aldeia da Paz - Entrevista com Thomaz Enla...


E é isso que eu sonho pra mim, mas antes disso quero intervir por meio do conhecimento acadêmico/ científico (biologia) para salvar nossos amigos não humanos da vivissecção. Acho que consigo esperar um pouco mais...até breve.. :D

Cria Cuervos - Porque te vas




Título original: Cría cuervos
Direção: Carlos Saura
Gênero: Drama
Tempo de duração: 104 minutos
Ano de lançamento: 1976
Sinopse: Ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e Indicado ao Globo de Ouro e ao Cesar de Melhor Filme Estrangeiro, Cría Cuervos é uma obra dirigida por um dos mais importantes diretores da Espanha, Carlos Saura. Nesta obra, Saura analisa as relações familiares durante o franquismo através da história de Ana (Geraldine Chaplin) e suas tristes lembranças de 20 anos atrás, quando aos nove anos, ela vê seus pais morrerem em um pequeno espaço de tempo. Na época, sozinha, Ana pensava ter um estranho poder sobre a vida e a morte de seus familiares. Remorso que carregou para a fase adulta, junto com o sentimento de culpa, por achar-se a responsável pela repentina morte do pai (Héctor Alterio). Esperanças, frustrações e paixões retratadas do ponto de vista de uma criança.



Ótima resenha do blog Cinama-filia:  http://cinema-filia.blogspot.com/2007/09/cra-cuervos-cra-cuervos-1977.html  Segue abaixo:




“Não entendo por que dizem que a infância é a época mais feliz na vida de alguém”, lamenta Ana, agora adulta. Ana é a melancólica protagonista de Cría Cuervos, do espanhol Carlos Saura, relato assombroso e cruel de uma família marcada pelo luto permanente e por aflições internas difíceis de solucionar. O contato de uma criança com a morte pode ser traumático, causar impressões que talvez nunca irão se dissolver. Quando tinha 8 ou 9 anos de idade, Ana assistiu à mãe, uma jovem que desistira da carreira musical em favor do casamento, definhar num rito fatal de agonia e ao pai, um oficial do exército do general Franco, entregando-se a uma relação extra-conjugal até morrer de parada cardíaca em plena transa com a amante. Imagens que ficariam gravadas em sua memória e que seriam resgatadas no enorme flashback que é Cría Cuervos. Na ausência precoce dos pais, Ana e suas duas irmãs passam a morar sob a tutela de uma tia repressora (porém educadora ao extremo) e em companhia de uma avó inválida e muda. Infância tão problemática que estudantes de psiquiatria fariam qualquer negócio para tomá-la como base de teses, mestrados ou monografias científicas.

À maneira de Ingmar Bergman, Carlos Saura preenche a narrativa com breves encontros entre Ana e os falecidos pais, sobretudo a mãe, em planos filosóficos e — por que não dizer? — mágicos. Aprofundando-se no tema, deduzimos que se trata de uma história de fantasmas, só que estes não assustam, ao contrário, eles confortam (tipo Fanny e Alexander). Com considerável quantidade de mágoa e pesar, Ana rememora certos episódios envolvendo o pai, porém a companhia “sobrenatural” da mãe se mostra muito mais agradável. Quando Maria, sua mãe, ressurge em meio aos abafados, mal-iluminados e silenciosos cômodos da casa, Ana consegue então desfrutar pequenos instantes de descontração, muitas vezes interrompidos por suas companhias vivas. O sufrágio faz compensação ao clima soturno do cotidiano, desenhando um paralelo à ditadura de Franco (Saura, aliás, teria negado em entrevistas posteriores qualquer intenção de metaforizar o período franquista, mas é quase impossível passar em branco pelo contexto político que a fita parece evocar, embora “acidentalmente”).

Aos poucos, revelam-se os enigmas da profunda tristeza nos gigantescos olhos da atriz mirim Ana Torrent (que também atua no estranho, porém interessante O Espírito da Colméia, de Victor Erice). A menina cresce presenciando constantes brigas entre os pais, o martírio da mãe sendo consumida por uma grave doença, a tia fazendo repreensões severas à mesa de jantar, etc. A relação com os adultos é toda vez conturbadíssima, e a morte deixa de ser um monstro de sete cabeças, passando a ganhar ares benévolos na maior parte dos casos. Ana fica obcecada com a morte; ela pode sofrer com a perda da mãe ou de um bichinho de estimação, mas também deseja de todo coração o desvanecimento da tia e até propõe suicídio à avó!

As fotografias de viagens, festejos e demais eventos alegres exibidas na abertura do longa dão clara pista do que está por vir: um emaranhado de lembranças, típico daqueles “filmes chororô” que costumam levar pra casa uma penca de prêmios (mas Cría Cuervos está longe de ser um melodrama vulgar, devo sublinhar). As regressões de Ana descrevem os personagens com suas características mais acentuadas, tudo aquilo que se precisa conhecer a respeito de cada um. Ao final, notamos que a essência da obra está concentrada especialmente na pequena protagonista, na mãe e na avó, as três simulando diferentes gerações na inconstante Espanha do século 20: a avó presa à cadeira de rodas representa o país do pré-guerra, ancorada pelos souvenires que enfeitam as paredes da casa, sem mais força para falar, apenas aguardando um basta a sua própria decadência; Maria é a moça enferma e neurótica que reproduz a paranóia incutida na população pelo franquismo; enquanto que Ana é a esperança de dias melhores, entretanto cheia de angústia e feridas herdadas pelos antepassados, algo que explica um pouco seu desejo destrutivo para consigo e para com as coisas que não funcionam conforme gostaria. As cenas em que a menina conversa com a avó são de uma ternura e de uma leveza ímpar, o encontro do passado com o futuro em meio ao caos deixado pela mãe em seqüências dramáticas e pesadas.

Está certo que hoje em dia Carlos Saura é mais conhecido pelos musicais com que, há mais de duas décadas, vem homenageando a cultura hispânica, tais como CarmenBodas de Sangue e Tango, trabalhos pouco relevantes a meu ver, embora curiosos e atípicos. Todavia, Saura demonstrou em sua primeira fase cinematográfica um domínio raro do drama psicológico. Foi nesse período que ele lançou, por exemplo, Ana e os LobosElisa, Minha Vida, e, claro, Cría Cuervos (possivelmente sua obra máxima), todos sustentados por atuações magistrais de Geraldine Chaplin (sua ex-mulher), atriz que viu eclipsada a chance de alcançar o devido reconhecimento pelo peso histórico do pai. Mesmo depois de 30 anos, Cría Cuervos permanece ereto como um monumento ao que de melhor se produziu no cinema espanhol pós-Buñuel e pré-Almodóvar. Pena que o realizador não tenha seguido sua primeira fórmula com a mesma fidelidade, rendendo-se ao mainstream com produções bem mais comerciais e bem menos ricas. Para quem esteve por trás de filmes como Cría Cuervos, levar fama por musicais de dança flamenga é quase um desaforo. 

terça-feira, 26 de julho de 2011

WSPA - Crueldade no Natal - A dura realidade do abate anual de renas no...



Antes que chegue o Natal....

172 anos do Bruxo do Cosme Velho |

172 anos do Bruxo do Cosme Velho |

Clique no título para acessar a página com o artigo completo

“Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira”.
Machado de Assis, durante a inauguração da Academia Brasileira de Letras (ABL)





Sandy devassa. Faustão magro. Silvio Santos pobre.
Dilma fazendo omelete na Ana Maria Braga.
Tiririca na Comissão de Educação, Maluf e Collor na Reforma Política...
Não não tinha sido combinado que era só em 2012 o fim do mundo???...

1936-BettyBoop



Betty Boop já defendia os animais!! ;)

A melhor palestra que você irá ouvir na sua vida - Gary Yourofsky-Meu ídolo!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Como curar um pesadelo...

video


Do Vermelho: http://www.vermelho.org.br/charges.php?id_param_charge=583

Por isso eu adoro Brasil de Fato

Sem molho e sem sal

São os novos-ricos do grande negócio futebol, uma das mais rentáveis mercadorias desta era globalizada do capital
21/07/2011

Luiz Ricardo Leitão

Não é nada fácil a vida de um cronista de Bruzundanga... São tantos eventos insólitos e quase surreais a ocupar as manchetes da mídia tupiniquim, que muitas vezes nem sequer logramos abordar temas de enorme interesse e relevância para a nossa conturbada República. Para que o leitor não pense em me desmentir, reporto-me aqui tão somente às últimas lides de minha província, onde o menino Juan, de apenas 11 anos, foi assassinado pela PM (temendo ser morta, sua família está sob proteção policial desde o final de junho). Isso para não falar da aparição espetacular de Osama Bin Light nas galerias de energia elétrica do Rio, cuja concessionária (privatizada, é óbvio) ensaia uma nova – e, literalmente, explosiva – modalidade olímpica para 2016: o arremesso de bueiros.
Uma crônica, porém, não deve limitar-se a denunciar os absurdos da Corte. Sempre que possível, caberá a ela também refletir sobre as tramas e personagens das farsas encenadas nessa luta miúda pelo poder que parece jamais ter fi m nos bastidores sombrios das elites. Por isso, li com imenso prazer o texto que o cineasta Ugo Giorgetti (o premiado diretor de Boleiros) escreveu há poucos dias, revelando-nos, com inegável verve literária, suas impressões sobre a fi gura anódina de Ricardo Teixeira, o todo-poderoso presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa 2014, um exemplo acabado dos novos arrivistas que prosperam às custas do nebuloso negócio do futebol.
Com o espírito aguçado de um legítimo ficcionista, Giorgetti relê uma longa entrevista que Ricky Tricky concedeu à revista Piauí. Mais além da arrogância e onipotência do cartola, ele desvela-nos com rara clarividência a tosca matéria de que se compõe a personagem e seu entorno. Conforme escreve o cineasta, o mundo em que se move Teixeira, ao contrário do que muitos poderiam supor, “é tudo, menos glamouroso, aventuresco, imprevisível e charmoso.”
Aos seus olhos, o cartola surge como “um homem absolutamente comum, banal, quase triste, que se movimenta num meio composto de velhos cansados, cinzentos, opacos, que só se manifestam por meio de lugares comuns dos mais vulgares, empregando um linguajar de uma pobreza extrema, só igualado pela indigência de seus raciocínios.”
Desprovido de qualquer carisma, o insosso Ricky é, em suma, uma fi gura sem molho e sem sal, sem o menor fascínio, nem sequer uma única frase memorável, como soem cultivar os grandes vilões da História e da ficção. Parco de imaginação e paixão, alheio à própria euforia congênita do esporte que ‘comanda’, a cinzenta criatura move-se apenas na rota soturna do exercício do poder. Ele e seus pares são “pequenos homens de negócios”, encerrados em estreito círculo mental, desconfiados uns dos outros e empenhados apenas em defender-se todo o tempo de “acusações reais ou imaginárias”.
São os novos-ricos do grande negócio futebol, uma das mais rentáveis mercadorias desta era globalizada do capital. Seus traços, de certa forma, já se entreviam nas velhas elites da casa grande, que o magistral Lima Barreto nos descreve à perfeição em Os Bruzundangas. Teixeira, contudo, está longe de ostentar a aura daqueles latifundiários que viviam nas cidades, “gastando à larga, levando vida de nababos e com fumaças de aristocratas” e arranjando “meios e modos” de o governo central decretar um empréstimo de milhões para valorizar sua lavoura nos momentos de crise. Em realidade, ele é apenas um filhote desgarrado de Brás Cubas e Macunaíma, carente da criatividade fabulosa do ‘herói sem nenhum caráter’ e incapaz de exibir a desfaçatez charmosa do ‘defunto autor’ machadiano...
Foram-se os tempos dos anti-heróis literários e daqueles “vilões fascinantes” a que se refere o cineasta Ugo Giorgetti. Na periferia pós-moderna do capitalismo, o que nos resta são essas criaturas cinzentas, fechando negócios nos balcões do Erário, ociosas e improdutivas como tantos alqueires de terra nos grotões de Bruzundanga. Será que teremos de suportá-las impávidas até 2014?

Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Estudos Literários pela Universidade de La Habana, é autor de Noel Rosa – Poeta da Vila, Cronista do Brasil e de Lima Barreto – o rebelde imprescindível.

Crônica originalmente publicada na edição 437 do Brasil de Fato.

Suécia, O Pais Dos Politicos Sem Mordomia



E ai , Brasil..tá na hora de tomar vergonha da cara , não é? Ahnn..ah é as condições sociais da Suécia são beeem melhores do que do Brasil...um tanto quanto intrigante isso..

"Agradecimento" da baleia que foi libertada

Educar para o veganismo: enfrentar ou recuar?


Leon Denis


"Como introduzir o veganismo em sala de aula?"

Essa é a questão que intriga uma grande parcela de docentes do Ensino Fundamental e do Médio após sua adoção do modo de vida vegano.


Tendo sempre como norte a definição e importância desse modo de vida ético para todos os seres vivos do planeta, a pergunta que me intriga sempre é outra: "como não introduzir o veganismo em sala de aula?"


Ao folhear os livros de Ciências do Ensino Fundamental e os de Biologia do Médio vejo o veganismo em todos os capítulos e penso: "Ah, se eu fosse um biólogo". O mesmo acontece ao folhear os livros de Geografia. Que ciência formidável, é possível demolir o especismo, tanto com a geografia física quanto com a humana, em especial a geopolítica. História! E a História? Em todas as culturas, em todas as épocas, a supremacia do antropocentrismo sufocando o legado estrategicamente escondido das vozes dissidentes. Língua Portuguesa, Química, Artes, Educação Física... Filosofia, a disciplina que ministro, essa eu exploro bem.


Acredito que na maioria das vezes a preocupação maior dos docentes veganos não é sobre que material didático usar, porque isso, é "mamão com aveia" (popularmente se diz "mamão com açúcar", mas como não sou simpático ao uso desse doce veneno, fico com a aveia). Pois, mesmo com material não vegano é possível dar uma bela aula sobre os direitos animais1.


É visível que o que mais preocupa os docentes veganos é a reação dos colegas de trabalho, da direção da escola e dos pais após o tema ter sido introduzido em aula. Minha experiência particular mostra que qualquer tentativa, a mais sutil que seja de falar de veganismo nas escolas de nível médio será recebida com hostilidade por parte dos outros professores e com represália da direção e dos pais.


Professores e professoras, se vocês são veganos de fato e têm consciência dos "desafios do modo de vida vegano"2, que magnificamente foram apresentados pela eticista Sônia Felipe no lançamento da Sociedade Vegana, qual o temor? O que lhes falta? Coragem?


Coragem é uma das principais virtudes ensinadas por muitas das artes marciais orientais. Em Jiu-Jítsu, por exemplo, coragem é representada pela "arte de não andar para trás"3. Na edição 157 da Gracie Magazine há um artigo sobre essa arte de não recuar perante um forte oponente ou obstáculo. Vemos uma foto de um encontro entre um cão husky siberiano e um urso negro numa floresta coberta pela neve. Diante desse hercúleo obstáculo o husky, diferentemente do que muitos de nós faríamos, não recua um passo no seu trajeto. Como o bravo husky defronte o urso negro, o docente vegano deve posicionar-se com uma base sólida diante do gigantismo do mundo escolar especista e não recuar no propósito de educar para o veganismo. Veganismo também é um esporte de combate.


No caminho do husky havia um obstáculo, um grande obstáculo. Na longa jornada do educador vegano também sempre haverá grandes obstáculos. Enfrentar ou recuar? Seguir ou andar para trás?


Não defendo o confronto direto com o corpo burocrático, docentes e pais especistas. Não recuar não é bater o pé contra a oposição aberta ou dissimulada deles, mas não recuar no objetivo de passar o veganismo adiante.


Em outra arte marcial, o Judô, aprendemos a usar a força do adversário contra ele mesmo. Quando digo que mesmo com material didático não vegano é possível dar uma boa aula sobre os direitos animais, falo fundamentado nesse princípio judoca. Como ainda não dispomos de livros didáticos de todas as disciplinas revisadas de modo a


adequar seu conteúdo ao veganismo, retirando-lhes todo o conteúdo especista, cabe ao educador vegano usar o especismo dessa disciplina contra ela mesma. Como? Mostrando a gritante contradição e incoerência do discurso e afirmações especistas. O antropocentrismo não se sustenta lógica, biológica e filosoficamente.


O educador vegano não pode recuar diante da repressão do corpo burocrático escolar, representante dos pais e dos docentes esquizofrênicos morais. Represálias, coações e ameaças surgirão. No entanto, se o objetivo é educar para por fim ao biocidio defendido pela incoerente moral tradicional. O educador deve começar a praticar "a arte de não andar para trás". Comece com o que é fundamental: muito conhecimento sobre a filosofia dos direitos animais. O conhecimento traz coragem e segurança. Educar para o veganismo é ter coragem de desfazer primeiro as próprias pregas, rugas e dobras morais que a tradição nos legou. Sócrates chamaria de "conhece-te a ti mesmo"; depois é só mostrar maieuticamente as crianças e adolescentes o caminho do modo de vida eticamente refletido.


Acredito que a pergunta inicial sobre como introduzir o veganismo em sala de aula, foi respondida.


Notas
1. Esse não ter material vegano para usar na escola não se aplica à filosofia, mas as outras disciplinas.


2. FELIPE, Sonia T. "A desanimalização do consumo humano: desafios da ética vegana". In: http://www.sociedadevegana.org


3. NOGUEIRA, Raphael. A arte de não andar para trás. Gracie Magazine, Rio de Janeiro, 157, p.24, mar. 2010.






Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo,autor do projeto Arte Suave na escola e co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil.
Membro fundador da Sociedade Vegana.

Por Willian Santos 

Do coletivo vida

Urso-Fantasma: Ursos Negros Nascem com o Pêlo Branco no Canadá

Em uma floresta úmida coberta de musgo na Colúmbia Britânica, no Canadá, cedros vermelhos altíssimos vivem mil anos e ursos negros nascem com o pelo branco.
Em uma manhã garoenta de outono no litoral da Colúmbia Britânica, uma silhueta escura caminha pesado pela praia. Um urso negro chegou para comer. É a temporada de reprodução. Peixes carregados de ovas enchem os riachos da ilha Gribbell, um pedaço pequeno da Great Bear Rainforest [Grande Floresta Úmida dos Ursos] do Canadá, uma das maiores florestas úmidas temperadas costeiras do mundo. O urso faz uma pausa em um pedaço coberto de algas para cheirar o ar. A chuva e a névoa não conseguem disfarçar o cheiro de podridão. Carcaças de salmão se embrenhavam nas tiras de alga trazidas pela maré. O urso se move como uma silhueta pela paisagem, sua pelagem negra se confunde com as rochas escuras e o bosque crepuscular.
Marven Robinson avista o urso, mas vira para o outro lado, desinteressado. “Talvez tenhamos mais sorte rio acima”, ele diz. Robinson, 43 anos, atarracado e bem equipado para a chuva, é guia no parque e membro da Primeira Nação Nativa Gitga’at, cujo território tradicional inclui a ilha Gribbell. Este urso não é o que ele está procurando. Ele está atrás de ima criatura mais rara e mais reverenciada: aquela que os Gitga’at chamam de mooksgm’ol, o urso-espírito, uma contradição ambulante – um urso negro que é branco.
Nem albino nem polar, o urso-espírito (também conhecido como urso de Kermode) é uma variação branca do urso negro norte-americano, e é encontrado quase que exclusivamente aqui na Great Bear Rainforest. Com quase 65 mil quilômetros quadrados – uma vez e meia o tamanho da Suíça – a região s estende por 400 quilômetros pelo litoral oeste do Canadá e abrange uma ampla rede complexa de fiordes cobertos de névoa, ilhas de densa cobertura florestal e montanhas com picos de geleiras. Ursos pardos, negros, lobos, glutões, jubartes e orcas povoam o litoral que é o lar das Primeiras Nações, como os Gitga’at, há centenas de gerações. É um lugar assombroso, selvagem, misterioso: aqui, há lobos que comem peixe. Cervos que nadam. Cedros vermelhos do oeste que estão em pé há mil anos ou mais. E um urso negro que é branco.
Na medida em que suas botas avançam pela trilha ladeada de samambaias, Robinson presta atenção em busca de movimento. Nenhum urso. Ele avista um tufo de pelo branco preso a um galho. “Eles estão por aqui, com certeza”, ele disse. Ele aponta para o tronco roído “Eles gostam de se levantar e morder a árvores só para dizer aos outros ursos que estão aqui, usando este rio.”
Uma hora se passa. Robinson espera com paciência em cima de uma pedra coberta de musgo. Então vê um movimento na folhagem. “Ali está ele”, diz.
Um urso branco surge da cobertura das árvores para uma pedra ao lado do riacho. Contra o a paleta escura de fundo da floresta úmida, a pelagem do urso parece radiante, de um jeito surrado. Não é um branco puro exatamente. É mais como um tapete cor de baunilha que precisa de uma lavada. O urso balança a cabeça de um lado para o outro, a procura de um salmão. Antes que possa enfiar a pata na água para fazer sua pescaria, um urso negro de repente sai da floresta e faz o urso branco sair correndo de cima de seu poleiro – apesar de o verbo “correr” talvez seja um pouco forte. Tudo que os ursos fazem parece se desenrolar em câmera lenta, como se eles quisessem economizar cada caloria possível para o inverno que se aproxima. O urso branco vai mancando para o meio dos arbustos e desaparece.
Robinson observa. Ele passou 15 anos entre os ursos-espírito. Ainda assim, está transfixado. “Este urso branco específico é muito submisso”, ele diz. “Às vezes isso me pega. Eu sou tenho instinto protetor. Uma vez, eu vi um urso branco velho ser atacado por um urso negro mais novo. Eu estava quase me intrometendo para jogar spray de pimenta no negro. O instinto era forte em mim. Mas daí o branco reagiu e o expulsou.” Robinson sorri, como que para admitir o absurdo de um homem querer se intrometer em uma briga de urso. Mas nos olhos dele há um indício de que ele podia ter feito aquilo.
Robinson não está sozinho. O mesmo instinto de proteção corre forte em toda a Great Bear Rainforest. Esse e um dos fatores que manteve o urso-espírito vivo.
“Nosso povo nunca caçou o urso branco”, diz Helen Clifton, sentada em sua cozinha em Hartley Bay, um pequeno vilarejo de pescadores marcado por espirais de fumaça de lenha e o eco dos grasnados dos corvos. Forte de voz e espírito, Clifton, de 86 anos, é matriarca de clã dos Gitga’at, uma das 14 tribos que formam o povo Tsimshian da costa noroeste da Columbia Britânica. Carne de urso raramente era um alimento principal, ela diz. Mas os caçadores das primeiras nações iam atrás dos ursos negros em grandes números quando os mercadores europeus estabeleceram o mercado de peles da Colúmbia Britânica no final do século 18. Mas, mesmo naquele tempo, matar um urso branco era tabu, uma tradição que prosseguiu em muitas gerações. “Nós nunca nem falávamos do urso-espírito à mesa de jantar”, Clifton diz.
Esse costume de ficar de boca fechada pode ter sido uma forma primitiva de proteção ambiental. Ao não falar do urso, muito menos caçá-lo, os Gitga’at e as tribos vizinhas nunca permitiram que informações sobre a criatura chegassem aos ouvidos dos mercadores de peles. Até hoje, os Gitga’at e o povo Kitasoo/Xai’xais ficam de olho em seus ursos durante a temporada de caça. “Não é boa ideia ir atrás do urso negro no nosso território”, diz Robinson. “Nunca se sabe. Pode ser que os nossos ursos retribuam os tiros.”
Essa atitude faz diferença. Durante décadas, a presença de caçadores ilegais e pessoas em busca de troféus – além de moinhos e um fábrica de enlatados – fez com que os ursos pardos no Great Bear escassos e medrosos. As indústrias agora se foram, assim como a caça ao urso pardo em partes da floresta úmida. Os ursos estão reagindo. “Nos meus primeiros anos, realmente era um acontecimento ver um urso pardo”, Doug Stewart diz. Como patrulheiro de pesqueiros, Stewart monitora o movimento dos peixes no Great Bear há 35 anos. “Agora eles são vistos o tempo todo. Posso cruzar com alguns ursos pardos em uma só manhã.”
Eles estão indo tão bem, aliás, que algumas pessoas se perguntam se a volta dos ursos pardos não está fazendo os outros ursos recuarem, e expulsando alguns dos brancos das melhores estações de pesca dos rios. “Quando você vê um urso pardo, não vai ver um negro – nem um branco”, diz Doug Neasloss, um guia do parque, do povo Kitasoo/Xai’xais. “Os ursos negros dão muito espaço para os pardos.”
Isso leva a uma possibilidade intrigante: talvez o urso pardo tenha influência sobre a concentração do gene do Kermode nas ilhas Princess Royal e Gribbell. “Ursos pardos e negros coexistem em todo lugar, menos nessas pequenas ilhas”, diz Thomas Reimchen, biólogo da Universidade de Victoria. “Não há hábitat suficiente pata os ursos pardos nessas ilhas menores. Eles precisam de grandes estuários gramados, hábitat subalpino, e terreno enorme para circular, coisa que essas ilhas não oferecem.”
Mas as ilhas oferecem uma outra coisa: os olhos dos seres humanos que os vigiam. “Eu digo aos mais jovens”, diz Helen Clifton, “quando virem um urso-espírito, não vão para o rádio e divulguem. Se quiserem contar para alguém, digam que viram um mooksgm’ol. A pessoa vai saber o que é. E, assim, os ursos vão ficar seguros.”
Os cientistas sabem como ursos negros nascem brancos. Não sabem muito bem por quê. O fenômeno, conhecido como kermodismo, é disparado por uma mutação recessiva no gene MC1R, o mesmo gene associado ao cabelo ruivo e à pele clara nos seres humanos. Para nascer branco, um urso precisa herdar a mutação do pai e da mãe. Os pais em si não precisam ser brancos. Só precisam carregar a mutação recessiva. Então, não é incomum para ursos brancos nascerem de pais negros.
A pelagem branca só ocorre em um em cada 40 a 100 ursos negros no litoral da parte continental da Colúmbia Britânica, mas o traço é particularmente pronunciado em certas ilhas da Great Bear Rainforest. Na ilha Princess Royal, um em cada dez ursos negros é branco. Na ilha Gribbell, diretamente ao norte de Princess Royal, a proporção é de um para três. O biólogo Wayne McCrory, da Valhalla Wilderness Society, chama Gribbell de “a ilha-mãe dos ursos brancos”.
Não está claro como a característica surgiu. Uma teoria foi a do “urso glacial”, uma hipótese em que o kermodismo representava uma adaptação remanescente da última idade do gelo, que acabou aqui há 11 mil anos. Naquela época, a maior parte da Colúmbia Britânica ainda estava coberta de gelo, e a pelagem branca pode ter oferecido camuflagem. Mas a teoria do urso glacial suscitou uma questão: por que a característica da pelagem branca não desapareceu junto com o encolhimento das geleiras?
Para saber mais, Doug Neasloss e eu saímos à procura de ursos na ilha Princess Royal. “Ei, urso”, Neasloss diz ao descer de um bote perto da boca de um pequeno rio. Parece que ele está chamando um amigo chamado Urso, apesar de não haver nenhum animal a vista. “Não vá querer assustá-los”, diz o guia de 28 anos, que trabalha no território tradicional dos Kitasoo/Xai’xais. Ua lata de spray de pimenta com potência para ursos pardos fica em um prendedor em sua cintura. Movendo-se por peras cobertas de cracas, Neasloss abre a cortina da floresta. Embaixo da folhagem, tudo é suave e silencioso. Líquen escorre dos galhos. As botas de borracha dele não deixam pegadas no piso esponjoso, que é tão verde que parece que o céu deixou cair uma nevasca de musgo.
Neasloss se coloca em um lugar embaixo de uma árvore e aperta o capuz para se proteger da chuva que não para. Ele viu um urso branco perto daqui recentemente, diz, apesar de não haver garantia de que ele vai voltar a aparecer. Um pouco depois das três da tarde, ele aponta para o outro lado do rio. Um urso branco vem andando pela margem com as patas na água. Esse urso é maior e mais seguro do que o urso da ilha Gribbell. A barriga dele é gorda. Parece estar usando um casaco dois números maior. Ele se debruça por cima de uma poça, enfia as duas patas lá dentro e sai com um salmão gorducho de um metro de comprimento.
Pesquisadores provaram recentemente que a pelagem branca do urso-espírito é uma vantagem na hora de pescar. Apesar de ursos brancos e negros costumarem ter a mesma taxa de sucesso depois de escurecer – quando os ursos fazem boa parte de sua pescaria – os pesquisadores Reimchen e Dan Klinka da Universidade de Victoria observou uma diferença Durante o dia. Ursos brancos pegam peixes em um terço das tentativas. Indivíduos negros têm sucesso apenas um quarto das vezes. “Os salmões se preocupam menos com um objeto branco visto de baixo da superfície”, Reimchen especula. Isso pode responder parte da questão relativa a por que a característica do pelo branco continua forte hoje. Se o salmão é a principal fonte de gordura e proteína do urso que vive no litoral, uma fêmea de sucesso pode se refestelar com salmão para armazenas mais gordura para o inverno, potencialmente aumentando o número de filhotes que pode gerar.
Enquanto a chuva continua a cair na ilha Princess Royal, Neasloss e eu observamos o urso-espírito se alimentar de uma fartura de salmão. Quando a pesca é boa assim, os ursos podem se tornar seletivos. Alguns comem apenas a cabeça do peixe. Outros podem rasgar a barriga e chupar as ovas. Alguns são vorazes. “Uma vez, eu vi um urso-espírito comer 80 salmões em uma sentada”, diz Neasloss. Este urso prefere fazer uma refeição reservada. Ele se vira com o salmão entre os dentes e corre montanha acima, para algum esconderijo que não dá para ver. Vinte minutos depois, o urso volta, pega outro peixe e leva para a floresta. Isso continua durante horas, até a luz do dia sumir do céu.
Bruce Barcott escreveu sobre o impacto do derramamento de petróleo no golfo do México. As fotos de Paul Nicklen da vida selvagem na ilha Geórgia do Sul foi publicada em dezembro de 2009.